
FU – Mas, você não era repreendido por eles, não havia limites?
DJ – Vivia numa família
desestruturada, cada um por si. Movido pela curiosidade não resisti,
continuei provando e gostando, mas, vou contar isso com mais detalhes
adiante.
FU – Sua família era desestruturada, mas, com alto poder aquisitivo, não é?
DJ – Pois é... As
raízes deste mal estão em todas classes sociais. Até os 7 anos, morei em
uma casa nada simples. Uma bela residência de seis quartos, localizada
em um bairro nobre, com vários carros na garagem, empregadas, governanta
e direito a passeios de limusine aos finais de semana – uma boa vida
norte-americana, que contribuía para disfarçar a infelicidade da minha
família.
Mãe mafiosa e pai homossexual
FU – Que ligação sua família tinha com a máfia?
DJ – Minha mãe fazia parte da poderosa máfia italiana e coordenava a venda de drogas em diversos pontos de Atlanta.
FU – E o seu pai?
DJ – Era um pai ausente
e pouco se importava com os filhos. Cresci rejeitado, meu pai sequer
ficava em casa, mas quando estava me batia sem motivo.
FU – Mas por que tanta revolta dele em relação a você?
DJ – Era um homem
problemático. Eu apanhava muito, levava surras do meu pai, muitas vezes
sem motivo. Nossa situação piorou quando minha mãe precisou fugir por
causa da perseguição da polícia. Deixamos a vida regalada para trás e
passamos a viver em situação precária.
FU – Da mansão para a pobreza. Como foi este período?
DJ – Foi um período
terrível porque minha mãe, que era compreensiva e carinhosa, tornou-se
agressiva. Se as referências familiares já não eram boas, perderam-se
com uma revelação surpreendente. Um dia após humilhar muito a minha mãe,
meu pai admitiu que era homossexual. Contou que já se relacionara com
mais de 2 mil homens. ‘Também tenho HIV’, confessou meu pai, tendo logo
após saído de casa.
FU – Foi neste período que você enveredou nas drogas?
DJ – Após um período,
minha mãe conseguiu se restabelecer e arranjou outro companheiro, que
foi morar com ela. Ele não me aceitava e fez uma exigência: ou ele ou
eu. E a minha mãe optou em ficar com ele. Fiquei desnorteado... Procurei
meu pai para pedir ajuda e o que recebi foi desprezo e a negativa, ele
não quis saber de mim. Fui morar nas ruas e aí tudo começou.
FU – A rua foi o seu passaporte para liberdade e o fim dos maus-tratos. E aí?
DJ – Sim, ganhei a
liberdade e parei de apanhar, mas neste período me aprofundei nos vícios
da maconha, crack, ecstasy e analgésicos. Rapidamente percebi que teria
que assumir a personalidade que as ruas e o vício impõem. Daí para
ingressar no crime foi um passo.
2ª Parte
continuação.......
Fonte: folha universal
2ª Parte
continuação.......
Fonte: folha universal

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